Mistérios inexplicáveis versus mistérios não explicados

homero-11Quase todo debate resulta em algo produtivo ou relevante, mesmo quando as partes acabam sem concordar uma com a outra. O fato de debaterem, exporem suas visões, pode ser suficiente para produzir um efeito positivo em ambos os lados e melhorar, pelo menos, a compreensão que um tem do outro.

Quase. Existem, entretanto, tipos de debate que não levam a lugar algum, não resultam em nada positivo, e às vezes contribuem para piorar as coisas. Por exemplo, debates circulares, baseados em argumentos circulares, raramente ajudam ou esclarecem algo.

Outro problema comum em debates é quando se iniciam com um dos lados, ou ambos, com idéias preconcebidas, falsas, sobre a posição do outro.

Este problema, idéias preconcebidas, e quase sempre falsas, parece ser recorrente no debate entre céticos, cientistas, ateus, e religiosos e mesmo filósofos. E algumas delas surgem em praticamente todo início de debate entre essas visões de mundo. Para que o debate que se segue seja produtivo, é preciso quase sempre esclarecer esses pontos, desfazer a confusão, apresentar as bases que sustentam a posição cética ou científica em termos de convicção, conclusão e argumentação válida, antes mesmo de discutir qualquer questão ou posicionamento.

Por exemplo, uma frase recorrente, que eu já ouvi/li dezenas de vezes 頓a ciência pensa que sabe tudo, que tem todas as respostas, que arrogância”!.

Mas como, pensa o lado de cá (cientistas em especial), alguém poderia pensar isso, de uma área de atuação humana que se dedica, “full time”, a enfrentar o desconhecido, o que não sabemos, a lacunas do conhecimento, o misterioso? O que poderia levar uma parcela significativa das pessoas a se enganar de forma tão espantosa sobre o que é a ciência, e qual sua posição real sobre o desconhecido? De onde tiram a falsa impressão que a ciência alega “saber tudo”?

A ciência pensa que sabe tudo?

Um dos motivos, uma origem desse engano, que convenientemente é reforçado sempre que possível, por textos e livros religiosos e de “adversários” da ciência (e até de “filósofos”), pode ser a dificuldade em compreender como a ciência sabe o que sabe, e a defasagem entre a ciência avançada e o conhecimento médio da população.

Quando começamos uma conversa com quem “crê” em algo, em geral este propõe algumas “coisas inexplicáveis”, ou relatos anedóticos, que parecem comprovar ou confirmar essas crenças. Minha prima usou homeopatia e se curou, como você pode não acreditar em homeopatia? Um amigo meu orou e arrumou um emprego na mesma semana, como você explica isso? Conheço um cara que foi no templo e sua rinite crônica acabou, como explica isso?

Conforme a conversa avança, o lado “da ciência” passa a apresentar as explicações, dados, estudos, elementos de convicção, que refutam essa aparente comprovação. Aspectos da psicologia, quando se explica que relatos anedóticos não servem de evidência, questões materiais sobre evidências físicas que são desconhecidas do leigo, estudos que demonstram o erro de alegações da crença, etc, etc.

Nada que não esteja disponível em livros e textos sobre ciência, mas que não são de acesso fácil ou simples para o leigo.

Algum tempo de debate, e chegamos à famigerada alegação: então acha que a ciência já sabe “tudo”, que arrogância!

Não, a ciência não sabe tudo, mas neste ponto de nossa história ela sabe tanta coisa, que o leigo ou cidadão comum não sabe, que é essa a sensação que passa, todas as “dúvidas” que ele tem, que pensa ter, já foram realmente respondidas. As que ainda existem, o muito de desconhecido que ainda há para investigar, é tão mais complexo, que o leigo ou cidadão comum nem mesmo sabe que são desconhecidos.

Eventualmente mesmo o cidadão comum, leigo, chega lá, até essas questões distantes e complexas, ainda misteriosas. A física quântica, o que houve antes do Big Bang, qual a origem da vida, etc.

Mas antes de analisar essas questões, existem alguns aspectos que precisam ser explicados, para que leigos possam entender o porquê da posição cética, científica, sobre estas questões, e sobre mistérios.

O que é um mistério?

homero-2-167x200Mistério, do grego, mystérion, coisa secreta, desconhecida, que não se sabe. Qualquer coisa que não sabemos pode ser classificada como um mistério. Mas há mistérios e mistérios, e nem sempre algo que não sabemos, um mistério, contém algo surpreendente, fantástico, sobrenatural, uma coisa “secreta”, um segredo. Muitas vezes apenas não há possibilidade de se descobrir o que houve realmente, ou a resposta verdadeira, por falta de elementos simples, comuns como acesso, ou devido à passagem do tempo.

Por exemplo, podemos chamar de “mistério” as últimas palavras de Tutancamon ao morrer. Ou qual a localização exata do túmulo de Agamenon. Ou o que houve realmente 2000 anos atrás, na Palestina.

Mas esses mistérios não escondem algo sobrenatural, fantástico, espantoso, apenas eventos comuns, que a distância histórica no tempo, e a falta de dados, impossibilita desvendar.

Não saber a explicação para algo, não significa que exista algo misterioso (no sentido de sobrenatural ou espantoso) escondido, ou que qualquer explicação sirva. Explicações, do ponto de vista do ceticismo, da ciência, do pensamento racional, exigem evidências para serem aceita como confiáveis ou válidas.

Ao perceber, em um debate, que o “lado da ciência” tem explicações, baseadas em evidências, para muitos dos “mistérios” que, para o leigo, ainda seriam misteriosos, a idéia de que a ciência “pensa saber tudo que há para saber” pode parecer real, válida. Como essa “acusação” recorrente é sempre martelada na cabeça do cidadão comum, em especial pelas religiões (e às vezes até pela filosofia), a reação é esperada, e a sensação de “arrogância” da ciência, parece justificada.

Inexplicado ou inexplicável

Existem coisas que não podem ser explicadas, ou apenas que não foram, ainda, explicadas? Algo, um mistério, é inexplicável, ou apenas inexplicado? E como saber?

Em matemática nós descobrimos a resposta, graças ao Teorema da Incompletudede Godel: há coisas que não podem ser explicadas, decididas. Que nunca poderemos dizer se são verdadeiras ou falsas. Inexplicáveis.

Mas e na física, nas questões materiais sobre o universo? Os que procuram a “teoria de tudo” em geral pensam que só existem coisas ainda não explicadas. Os que duvidam que seja possível encontrar a “teoria de tudo” em geral pensam que existem coisas inexplicáveis.

Entretanto, novamente, mesmo que coisas realmente inexplicáveis existam, isso não justifica a adoção de uma explicação qualquer, para conforto pessoal, ou qualquer outro motivo. Algo inexplicável é, por definição, inexplicável, e qualquer explicação adotada violaria essa definição (e a idéia de inexplicável). Um milagre inexplicável será apenas inexplicável, e não a ação de deus, demônio, Alah, Zeus, ETs telepatas, seres intradimensionais, etc, etc.

Podemos jamais saber quem realmente matou as moças atacadas por Jack, o estripador. É um mistério. Mas não um mistério misterioso, apenas um assassino que foi esperto o suficiente, ou teve sorte o suficiente, para não ser pego (ou, sendo pego, teve dinheiro ou prestígio bastante para não ser levado a julgamento).

Mas esse é o tipo de “mistério” que dá margem a dezenas de “teorias” (no sentido amplo e não científico do termo teoria), palpites, histórias, conspirações. E é exatamente o tipo de explicações que não serão aceitas, pelo menos pelos céticos e historiadores mais honestos, por falta de evidências sólidas, confiáveis.

Um mistério, mas não um “mistério”.

Mente fechada

A partir dessa posição, sobre a existência de coisas inexplicáveis, outra afirmação muito comum é sobre a “mente fechada” de céticos e cientistas, que “não admitem o inexplicável”. O que, como na alegação anterior, não é verdade.

Eu, por exemplo, não vejo nenhum problema com o inexplicável. Na verdade, quem parece ter problemas com o inexplicável em geral é quem acusa cientistas e céticos de terem a mente fechada, e que parecem precisar muito de uma explicação, qualquer explicação.

Vou usar um exemplo concreto, com que já me deparei muitas e muitas vezes. O diálogo que se segue é quase “literal”, e recorrente:

– Então, você não acredita em OVNIS?!?!

– Na verdade, eu acredito, ou melhor, concluo que existem evidências de OVNIS.

-Ah, que ótimo! Vejo que tem a mente aberta, que entende que os seres de Alpha Centauri, que vem nessas naves interestelares, querem nos ajudar contra…

– Desculpe, mas não acredito em naves espaciais de Alpha Centauri, não vejo evidências que existam e visitem nosso planeta…

-Como assim?! E os relatos, e as abduções?!?! Talvez esteja se confundindo com aquelas “bobagens” de gryas cinzas que querem nos colocar chips e…

-Não acredito em relatos anedóticos, nem vejo evidências de abduções, nem de grays ou greens, sinto muito…

-O que?!?!?!?! Mas o Comandante Ashtar Sheran disse que é verdade, acha que ele está mentindo???

– Sinto, mas não vejo evidências de que Ashtar Sheran seja mais que uma lenda urbana ou ilusão cognitiva e…

– Mas que absurdo, então porque disse que acreditava em OVNIS!?!?! Você mentiu para mim!!

 É um esforço, nem sempre com bons resultados, explicar que OVNIS, Objetos Voadores NÃO Identificados, precisam ser, bem, NÃO identificados. Se há uma identificação, por exemplo, são naves interestelares de Alpha Centauri, não são mais OVNIS.

E explicar que embora eu admita, conclua pela existência, de objetos ou luzes no céu, que não têm, no momento, explicação embasada em dados, concreta, material, natural, isso NÃO autoriza a adoção de qualquer outra explicação de nosso gosto (ou por qualquer motivo).

Uma luz no céu, não explicada cientificamente, pode ser até motivo para mais investigação, mas nunca para uma alegação igualmente sem evidências. Se aceitarmos uma explicação sem evidências, precisamos aceitar todas as explicações sem evidência para o mesmo fenômeno, ou explicar por que não o fazemos.

homero-3-193x200Assim, luzes que voam no céu e não podem ser explicadas por eventos naturais (ainda não), podem ser naves inter-estelares, ou dispositivos de vigilância de seres intraterrenos (habitantes da Terra Oca), ou reflexos de luz de anjos do Senhor, ou ilusões causadas por demônios de Satã, ou fendas interdimensionais por onde escapam energias livres, etc, etc, etc, tudo o que nossa, imaginativa, mente humana pode criar como explicações. Escolher apenas uma delas, sem nenhuma evidência concreta, não é razoável.

Dessa forma, é preciso entender que aceitar a existência de coisas inexplicáveis ou inexplicadas não significa aceitar qualquer explicação disponível. Na verdade, não é algo lógico, racional, confiável, aceitar uma explicação, qualquer que seja, se esta não apresentar evidências.

Assim, não é devido a ter a “mente fechada” que se recusam as explicações de quem crê para os eventos inexplicáveis, mas pela falta de evidências que sustentem essas explicações.

Fantasmas no pântano
Levamos muito tempo, e foi preciso muito esforço intelectual para aprendermos isso, para entendermos que conhecimento confiável (sobre o universo físico, material, concreto) só pode ser produzido dessa forma. É mais seguro deixar de reconhecer algo real, mas sem evidências, que reconhecer algo cedo demais, que se mostrará falso.

Foi um aprendizado difícil, mas abandonar o “deus-vulcão” foi extremamente importante. E substituí-lo pelo “deus-das-lacunas” não é razoável, ou seguro.

No passado, era um padrão aceitar as explicações disponíveis, para qualquer fenômeno ou evento, bastava que fosse dito por autoridade, ou que fosse uma experiência pessoal. E isso dava bons resultados para boa parte de nossas necessidades, para eventos comuns, cotidianos, de sobrevivência, de relacionamento social, etc.

Mas para eventos mais complexos, fenômenos cuja natureza não era tão evidente, ou facilmente identificável, isso costumava falhar, de forma constante. Se analisarmos as alegações de nossos antepassados, para muitos dos fenômenos que explicamos hoje facilmente, pode parecer que eram tolos, ou estúpidos, que só criavam explicações absurdas.

Nada mais enganoso. Nossos antepassados eram seres humanos, com um poderoso cérebro humano a guiar suas ações e escolhas, e muitos eram tão ou mais inteligentes que alguns dos seres humanos atuais (eu queria escrever que a maioria dos seres humanos atuais, mas ando meio desapontado com meus contemporâneos ). Se criavam explicações absurdas, era apenas por falta de elementos de convicção suficientes, e ferramentas de investigação, que permitissem produzir esses elementos de forma confiável.

Aristóteles, uma das maiores mentes que já surgiu em nossa espécie, escreveu coisas incorretas, absurdas, totalmente sem relação com a realidade. Não por ser estúpido, mas por falta de elementos, dados, que o ajudassem a responder certas questões. Ele dizia, por exemplo, que o cérebro servia apenas para refrigerar o calor corporal.

Isso de forma alguma desmerece a capacidade intelectual de Aristóteles. Poderíamos leva-lo a um simpósio de filosofia, sem nenhum problema, e ele seria um dos principais debatedores. Ele poderia dar aulas em classes sobre ética, e caminhar com desenvoltura em debates sobre política, e mesmo teologia, e dar grandes contribuições em todas essas áreas. Mas ficaria perdido em aulas de ciência, mesmo em escolas de primeiro grau. Qualquer aluno de segundo grau deixaria o gênio Aristóteles boquiaberto, se falasse sobre o que sabe (em geral, pouco, infelizmente) sobre biologia, física, química, astronomia, qualquer área científica da atualidade.

Poderia, por exemplo, explicar a Aristóteles que o Sol é apenas uma estrela, ao redor da qual a Terra órbita, e que todas as outras estrelas são como nosso Sol, gigantescas, ou explicar a Tabela Periódica, os mais de 100 elementos (e não apenas quatro), e cada um desses novos conhecimentos espantaria e maravilharia Aristóteles.

Se nos colocarmos, entretanto, na posição de nossos antepassados, antes do método e das ferramentas da ciência, podemos ver que as respostas eram o que seria possível encontrar na época. E nem é preciso o impacto de uma montanha que explode, que parece ter “mudanças de humor”, e que parece castigar os homens, para imaginarmos alguma “intenção” nesses fenômenos, o deus-vulcão, mas até eventos mais comuns, que hoje são apenas interessantes curiosidades, podiam ser espantosos nesses tempos antigos, e gerar “explicações” espantosas, mas incorretas.

Imagine que vive em um tempo remoto e que precisa atravessar um pântano (ou cemitério) à noite. Ruídos, sons estranhos, a luz da Lua criando sombras e luzes no chão do pântano, entre as árvores, pios, etc.

Nesse ambiente já assustador, em épocas em que o risco era real, e grande, mesmo durante o dia, você caminha, com cuidado. De repente, uma luz, um clarão, uma imagem translúcida, iluminada, sem forma definida, que se move tremeluzindo. Aquilo parece “bailar” na sua frente, e quando, apavorado, você corre tentando fugir, a “coisa” corre atrás de você, mudando, dançando, e você parece ver rostos, mãos, “garras”, tudo ao mesmo tempo.

homero-5-134x200E de repente tudo acaba, a “coisa” desaparece, desmaterializa em pleno ar, enquanto você corre cada vez mais, quase a ter um ataque cardíaco.

Alguém aqui foi capaz de ler esse relato sem pensar na palavra “fantasma”? Nem eu. Nem ninguém, eu acho.

Mas esse “espantoso” fenômeno, que deve ter sido a origem de lendas sobre espíritos, almas, seres elementais da floresta, fadas e dríades, etc, em diversas épocas e culturas, é apenas algo natural, hoje bem conhecido, o fogo fátuo. Emanações de gases inflamáveis de forma espontânea, resultante da decomposição de materiais orgânicos.

É muito menos impactante, e menos interessante, e se encontrar alguém que passou pela experiência de ser “perseguido” por um espírito de luz em um pântano escuro, e explicar o que realmente ocorreu, provavelmente vai decepcionar a pessoa. Talvez ela se recuse a aceitar a explicação para este mistério, que de alguma forma, mesmo a partir de emoções como medo e pavor, tornavam a vida dela mais interessante, mais importante.

Certo e errado

“Então o que você está dizendo é que é ‘errado’ acreditar em algo apenas por fé, sem evidências, e ‘certo’ acreditar a partir de evidências?”

Não, não estou. Não há nada de “errado” em crer por fé, ou crer em algo sem evidências. Se alguém diz “deus foi lá em casa e me disse que existe vida após a morte e eu acredito”, não há o que discutir, nem se pode dizer que está “errado”. Se alguém diz que “sinto em meu coração que é assim”, também não está “errado”. Nem “certo”.

O que estou defendendo é que, em termos de crenças (conclusões) sobre este universo material, em termos de ter uma resposta mais próxima possível da realidade, é mais CONFIÁVEL esperar por evidências antes de concluir.

Alguém que diz que recebeu deus em casa, e que acredita nele por isso, não está “errado”. Mas se alegar que tem evidências, motivos, para essa crença, estará. Ou precisará demonstrar e sustentar essas evidências.

Estou dizendo que a forma mais confiável, segura, de produzir conhecimento que possa ser apresentado à outra pessoa, demonstrado de forma válida, ou que possa estar mais próximo da realidade deste universo, é a que usa a ferramenta do método científico, da razão, da lógica. Que a fé, a crença sem evidências, pode servir para a pessoa que a tem, mas não para outros.

homero-6-175x200Que em um debate entre ceticismo, ciência, e religião ou filosofia, a crença ou fé só pode ser apresentada, como argumento ou elemento de convicção, se não for apenas fé, mas se tiver evidências que sustentem a alegação. Evidências materiais. Sem isso, por mais que a parte que crê “saiba” que é verdade, não vai conseguir convencer a parte cética, e a ciência, mas não por esta “achar que já sabe tudo”, nem por terem “a mente fechada”, ou por pensarem que “tudo pode ser explicado”, ou qualquer coisa desse gênero.

Mas sim porque, como escolha racional, lógica, baseada na eficácia das ferramentas intelectuais disponíveis a nossa espécie para validar conhecimento, na confiabilidade que se pode mensurar em relação ao conhecimento assim produzido, adotamos, a partir das regras acima detalhadas, este padrão para conclusão: sem evidências, sem crença.

Ou resumindo, mente aberta, mas não tanto que o cérebro caia para fora.

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