Mas o Curiosity está mesmo em Marte?

Com o pouso bem sucedido (e emocionante, pelo menos para mim) do jeep/laboratório/robô Curiosity em Marte começam a surgir as teorias de conspiração de sempre. Pessoas sem nenhum conhecimento sobre ciência, sobre física, etc, tentando usar o “bom senso” humano, às vezes com uma forte predisposição contra ações de americanos, e às vezes com um legítimo, porém equivocado ceticismo em relação a alegações extraordinárias, que criam “argumentos” e levantam uma série objeções ao acontecimento.

Há muitas formas de abordar essas teorias de conspiração, desde a mais concreta, apontando evidências específicas para cada elemento ou objeção, até a psicológica, tentando entender a natureza da mente humana e suas dificuldades com conceitos complexos ou eventos fora da escala (como as distâncias envolvidas nas viagens inter-planetárias.

Como no caso da “Fraude da Lua”, uma abordagem simples é enviar quem duvida para os muitos sites ou artigos que se dedicam a refutar ponto a ponto cada objeção. Bandeiras que tremulam, angulo das fotos tiradas, marca de solado na poeira, etc. O programa Mythbusters dedicou um capítulo a demonstrar cada um desses eventos. Entretanto, ainda há quem duvide, pois é parte de sua psique ou de sua posição pessoal em relação ao evento.

Analisar essa posição, entender os aspectos ideológicos, políticos, sociais, etc, pode ajudar a compreender porque reagem assim, mas fará pouco para mudar essa reação, ou convencer essas pessoas de que estão enganadas.

O lema cético hoje famoso, alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias, é em parte responsável por esse problema, pelo menos em sua versão um tanto distorcida ou mal compreendida. Sim, é um elemento importante do pensamento racional, cético, e mesmo científico, e se um cientista pensa ter descoberto algo que confirme ou melhore o entendimento de algo que já sabemos, ou temos boas evidências, ele precisará de menos esforço para ser aceito do que se ele estiver tentando demonstrar algo que refuta ou contraria algo bem estabelecido. Se o que ele apresenta é extraordinário, suas evidências e elementos de convicção devem ser igualmente extraordinários.

E se há algo que temos de reconhecer, é que pousar um jeep/laboratório/robô de 4 toneladas em Marte, é algo realmente extraordinário! Espantosamente extraordinário, mais extraordinário, em termos de dificuldade, complexidade e riscos, que colocar homens na Lua!

Entretanto, todos os cientistas, as pessoas envolvidas nessas missões espaciais, e a maioria dos que as acompanham, sejam ligadas a área ou não, reconhecem que estas evidências existem, são claras, fortes, embasadas. Não há dúvidas, entre estes, de que pousamos na Lua, várias vezes, ou que o Curiosity pousou em Marte, com segurança. Não há dúvidas que as fotos e imagens e dados que ele envia agora, e que vai enviar por quase 2 anos (ou mais se tivermos sorte), são de Marte, legítimas, confiáveis.

Então, qual o problema com os que não acreditam? Estariam eles sendo fiéis ao ceticismo, a máxima alegações extraordinárias exigem evidências extraordinárias? Seremos nós os “crédulos” nestes casos?

Na verdade não. O ceticismo, e sua máxima sobre alegações extraordinárias, não são absolutos ou cegos, nem devem ser levados a níveis irracionais. Não se duvida de “tudo“, mas se duvida de tudo que não apresente evidências, ou se duvida de tudo até que se demonstre com segurança que está correto. O problema aqui é que, para eventos mais complexos, conhecimento mais avançado, as evidências são, em boa medida, também mais complexas, e como tal difíceis de serem compreendidas pelo cidadão médio.

Assim, ao não compreender muitos aspectos dos eventos relatados, por falta de conhecimento de base sobre o assunto, estes parecem difíceis de entender, tanto quanto as evidências que se apresentam para demonstrar sua realidade. E não ajuda muito que falsos “entendedores” do assunto espalhem tolices disfarçadas de “argumentos científicos“, como “na falta de umidade/atmosfera não se formam pegadas nítidas na poeira lunar“, ou “o tipo de filme fotográfico XPTO nunca funcionaria nas condições da Lua“, e coisas do gênero.

Mesmo quando confrontados com as refutações dessas alegações, com dados e evidências sólidas, quem “desacredita” pode continuar a duvidar, porque não compreende bem o que foi explicado. Muitas vezes as explicações são tão complicadas, ou exigem tanta informação de base para ser compreendido, quanto o fenômeno que se pretende explicar.

Ainda assim eu penso que vale a pena tentar. E que se deve começar pela base, pelos fundamentos, mostrando que a premissa básica, a questão básica referente a estes eventos, “eles podem provar que estão/estavam mesmo lá?“, pode ser respondida de forma que até um leigo compreenda. Que esta questão, havia/há algo lá, não pode ser objeto de dúvida, devido a um tipo de evidência que mesmo hoje não pode ser falsificada. O problema é que esta evidência exige paciência e certo esforço para ser compreendida. Não muito difícil, nada que uma pessoa comum não entenda, mas leva algum tempo e é preciso prestar atenção e acompanhar cada passo. E principalmente, honestidade intelectual para reconhecer um argumento válido quando apresentado a ele.

Para entender, para demonstrar que o Curiosity precisa estar em Marte, e não em um deserto do Arizona, podemos começar com um experimento simples, fácil, quase ingênuo, brincar de cabra cega.:-)

Uma brincadeira de cabra-cega envolve uma pessoa vendada, e vários amigos que se movem e tentam não serem “pegos” por esta. A pessoa vendada tenta tocar cada participante, que então se torna a cabra-cega e recomeça o jogo.

Mas o que teria a ver uma brincadeira infantil com as provas das missões humanas no espaço e em outros mundos??!! Pois esta é a graça e a virtude de usar exemplos que não apenas podem ser compreendidos por qualquer pessoa, mas que formam a base de compreensão futura para qualquer aspecto mais complexo desses eventos. Devemos construir um conhecimento, não despejar afirmações sobre a cabeça de alguém sem nada mais além de dados e números.

A brincadeira de cabra cega se baseia na capacidade de “triangular” um alvo a partir de sons emitidos por este. Em temos bem simples, o participante cego, vendado, usa os sons para localizar as pessoas, e seus ouvidos como “radar” para brincar. Mas como ele faz isso, é algo que a maioria das pessoas nunca pensou a respeito.

Quer dizer, sim, eu sei “de onde” vem um som, uma risada, o tropeço de outro participante, mas como eu sei disso? Eu ouço o som, uso meus ouvidos, mas como isso me diz a “direção” de onde vem o som? Para começar, é interessante notar que pessoas surdas de um dos ouvidos têm dificuldade (ou ficam impossibilitadas) de brincar de cabra-cega. Para esse jogo é preciso o uso de dois ouvidos em bom estado.

Isso porque, embora seja até difícil de acreditar, o nosso cérebro usa a minúscula, quase inexistente diferença de tempo entre a chegada de um som em cada ouvido, como “base de cálculo” de direção. Nosso cérebro “triangula” a origem do som a partir da diferença de tempo entre o som que chega a um ouvido em relação ao outro.

Sistemas de home-teather usam esse conceito, e posicionam seus alto-falantes e equipamentos de som em posições específicas, e quanto mais distantes uns dos outros, melhor o efeito de “tridimensionalidade” que os sons emitidos produzem. É possível “ver” o trem do filme passando do lado “esquerdo” da sala para o lado “direito“, e saindo pela parede, mesmo de olhos fechados.

Imagem obtida aqui: http://encurtar.com/pS

No passado essa interessante habilidade do cérebro foi usada para detectar navios em nevoeiros, e foram criados equipamentos simples que ampliavam a capacidade de triangulação, e detecção, das pessoas encarregadas disso. Esta imagem mostra um aparelho que “aumentava a distância” entre os dois ouvidos de uma pessoa, aumentando o tempo entre a chegada do som a cada ouvido, e melhorando a precisão do utilizador.

Seria excelente para uma brincadeira de cabra-cega.:-)

Um experimento simples, para começar a explicar a um leigo completo em ciências as questões sobre as missões espaciais, poderia ser colocá-lo sentado em um sofá, em uma sala grande, e pedir que ele, de olhos fechados, aponte para você. Enquanto isso você andaria pela sala e de vez em quando emitiria algum som ou palavra. Seria simples mostrar que ele sempre acertaria a sua direção, por mais que caminhasse na sala.

Em seguida, coloque outro amigo sentado um pouco distante do primeiro, e também de olhos fechados peça que este aponte para você a cada vez que disser algo em voz alta.

O que vamos perceber, o que eles vão perceber, a cada vez que você emite um som, é que ambos apontam corretamente para você. Depois abrem os olhos para verificar a precisão, e verificam que as três posições envolvidas, os dois amigos nos sofás, e você em pé na sala, formam os vértices de um triangulo. E também que, se os amigos no sofá apontarem um para o outro, com um dos braços, e para você com o outro, será bastante simples medir o angulo entre seus braços, e dessa forma dois ângulos deste triangulo. Por isso se chama triangulação.

E pronto! Se estes amigos se lembram, ainda que vagamente, das aulas de trigonometria do colegial, vão entender que, apenas com isso, podem saber exatamente a que distância você está, e exatamente em que posição na sala. Ou em qualquer lugar no planeta, desde que possam detectar sons ou sinais a partir de você.

Medindo, comparando, descobrindo

O triangulamento funciona de modo intuitivo para nosso sistema cérebro/ouvidos, mas se baseia em física e matemática. A partir de uma fonte de som (ou emissão de qualquer tipo de sinal) podemos determinar a distância, e posição, sem erro. E sem que se possa “falsificar” essa posição.

A matemática envolvida é a seguinte, e se baseia nas propriedades dos triângulos. Sabendo os ângulos de um triangulo podemos saber a dimensão de seus lados, dessa forma:

E com a ajuda da paralaxe, pode ser usada para determinar até mesmo a distância de uma estrela em relação a Terra:

E seu uso mais comum hoje, o sistema de GPS, que, como todos sabem a esta altura, precisa de pelo menos 3 satélites para dar uma posição precisa:

Nem é necessário, a esta altura, mostrar os cálculos que permitem essa triangulação. Seria preciso muita, mas muita teimosia e cabeça fechada para alegar que “mas isso nem sempre funciona, como ter certeza de que o cálculo é preciso?“. É matemática, não palpite. Claro que se chegar a este ponto sempre se pode mostrar os cálculos e provar que são precisos.

Então, agora temos uma compreensão de base, de que quando se triangula uma emissão de sinais, não apenas é preciso o cálculo de distância e posição, como é impossível de ser fraudado. Mas é impossível mesmo?

Sim, mesmo hoje em dia é impossível fraudar uma emissão, tanto para “fingir” que ela não está no lugar em que está, quanto para “fingir” que ela está lá, em um local em que ela não está. Por isso ainda hoje se gastam fortunas tentando criar caças e aeronaves de guerra “stealth“, invisíveis ao radar, e por isso ainda falham ou tem problemas.

Um caça stealth, invisível, como o F22 Raptor, um dos mais eficientes e mortais caças de combate, é o mais perto que se chegou disso. Seu objetivo é “fingir” que não está onde está, evitando que as emissões do radar sejam refletidas em sua estrutura, o que permitiria que dois radares que captassem esses sinais detectassem exatamente onde ele está, a que distância, velocidade, e tudo o mais (e, claro, enviassem caças para abatê-lo).

Se os cientistas militares pudessem, eles criaram uma forma de “fingir” que os sinais vêm de outro local, para “enganar” os radares. Se pudessem, impediriam que os sinais fossem refletidos, pelo mesmo motivo. Mas não podem, nem uma coisa nem outra. Mesmo hoje em dia e com toda tecnologia disponível.

O F22 tenta não refletir sinais de radar. Mas também tem outras características importantes, para evitar que ele mesmo produza sinais, de rádio ou de luz, sons, qualquer coisa que o denuncie. Seus sistemas eletrônicos embarcados são “blindados“, não contra danos por ataque, mas para impedir que emitam ondas eletromagnéticas sem querer. Suas ações de ataque são precedidas por “silêncio de rádio absoluto” para impedir a detecção (se uma conversa, mesmo criptografada e em código for emitida, os radares inimigos vão detectar a origem e posição imediatamente).

Mesmo assim, o máximo que eles conseguem é diminuir, não eliminar, sua visibilidade ao radar e sistemas de detecção. Então tem de contar com o outro lado da moeda, a necessidade de radares de detecção de serem “calibrados” para filtrar o que captam, e evitar falsos positivos. O espaço aéreo não tem apenas caças F22 e outras aeronaves. Têm falcões, pombos, pardais, e também papel alumínio levado pelo vento, destroços diversos, tempestades, gelo dentro de nuvens, etc, etc. Se um sistema de radar for ajustado para dar alarme a qualquer sinal detectado, ele se torna inútil, pois soará o alarme o tempo todo.

Por outro lado, se for calibrado para ignorar demais, pode deixar escapar naves reais, pensando serem apenas eventos naturais. Isso não era um problema real até o desenvolvimento dos aviões stealth, pois o sinal de uma aeronave e um falcão ou gelo em nuvem eram muito distintos. Não mais. Um F22 pode ser capaz de se passar por algo como uma ave pequena, em termos de sinal refletido, e enganar o radar e sua calibração. Radares militares precisam ser capazes de serem ajustados rapidamente, dependendo se é um período de guerra ou ameaça ou de paz e segurança.

Radares, radioamadores e a corrida espacial

Nesse ponto, o que temos? O que nosso amigo que “não acredita” tem, deve ter compreendido de tudo que foi explicado? Primeiro, que triangular um som, ou emissão de sinal, rádio ou TV, funciona até com brincadeiras de cabra-cega. Segundo, não se pode fraudar a origem de emissões de rádio, luz, som, etc, ou qualquer sinal enviado para um receptor.

Agora podemos começar a apresentar o cenário da corrida espacial, e as evidências baseadas nesse conhecimento. Por exemplo, quando o satélite russo Sputnik foi lançado, e passou a orbitar o planeta, passando inclusive sobre as cabeças dos apavorados americanos, emitindo seu “bip” sem parar, muitos foram levados a duvidar disso. Jornais americanos sugeriram que poderia ser uma “fraude” dos malvados russos.

Mas isso logo acabou, e todos tiveram de aceitar a realidade daquele sinal assustador no espaço. O motivo é que qualquer um com um receptor de rádio como um radioamador, podia detectar o sinal. E se um radioamador comparasse o angulo de seu sinal com o angulo de outro sinal obtido por outro radioamador a alguma distância, poderia provar (para si mesmo ou para outros) que este vinha de órbita. Mais que isso, poderia acompanhar a trajetória deste enquanto estivesse passando pela América do Norte, sem a menor sombra de dúvida.

Na verdade, se tornou um hobby popular para radioamadores de todo mundo (russos e chineses inclusive) acompanhar não apenas o Sputinik, mas todas as missões dali por diante. E radares, russos, por exemplo, nem precisavam que estas missões emitissem sinais de radio ou TV, bastava apontar seus equipamentos para o local onde a missão estava e verificar se eram detectadas pelo radar.

A cada missão russa ou americana, radares e radioamadores por todo mundo acompanhavam tudo. Ainda se podia dizer que “não eram pessoas de verdade, apenas dispositivos de transmissão“, mas não que não havia “nada lá“. E outras evidências, o acompanhamento de especialistas, e cientistas, em todos os passos de cada missão, russa ou americana, etc, reforçava a realidade da corrida espacial.

Quando Gagarin falou da órbita da Terra, todos no planeta ouviram, muitos em tempo real, com seus radioamadores, rádios caseiros de ondas média, radares, etc. Quando John Glenn passou 5 horas orbitando a Terra (3 voltas completas), todo mundo acompanhou suas transmissões. Centenas o viram subir na Friendship 7 e depois descer dela são em salvo. E transmitir durante todo o tempo.

Cada missão Gemini, Mercury e por fim Apollo foi igualmente acompanhada no quesito que mesmo hoje não pode ser fraudado, emissões de radio e detecção por radares. Quando a Apollo 9 orbitou a Lua, todos no planeta podiam verificar que esta estava mesmo em órbita da Lua. Sem chance de falsificação da posição.

Comparação das missões Gemini, Mercury e Apollo

Nesse ponto quem descrê começa a entender como foi enganado, por coisas sem sentido, apresentadas por adeptos de teorias de conspiração. Se qualquer das grandes potências em guerra (fria, mas guerra) com os USA tivesse a menor prova de falsidade nas missões teria exposto tudo. E com o apresentado acima, fica claro que eles poderiam ter essas provas, se fossem missões falsas.

Se a emissão do sinal de TV da Apollo 11 viesse de um deserto em Nevada, ou de um estúdio em Hollywood, isso seria descoberto rapidamente. Qualquer clube de radioamador poderia demonstrar a farsa nesse caso. Para que isso nunca tenha ocorrido, é preciso estender a teoria da conspiração da Lua, para abranger mais e mais pessoas a cada vez: os russos, os chineses, todos os radioamadores do planeta, todos os operadores de radares, etc, etc, etc.

Tudo, menos seres humanos (ou, me engana que eu gosto)

Resta agora uma fuga final, uma alegação que eu já encontrei algumas vezes. Ela surge quando se expõem estes argumentos e os dados e informações acima, ou mesmo quando o “conspiracionista” chega ele mesmo a conclusão que não se pode fraudar as emissões de radio e TV: bem, então tá, admito que os americanos até colocaram “algo” na Lua, mas foi apenas um “emissor” de sinais, uma estação de TV, não pessoas. As imagens que vimos foram produzidas na Terra, e re-enviadas de lá.

Vejam só, agora não apenas os americanos conseguiram ir a Lua, mas aparentemente desenvolveram tecnologia tão avançada que eram capazes de instalar, roboticamente e a distância, uma estação de TV e rádio em solo lunar, apenas para “enganar” as pessoas aqui na Terra.:- )

A alegação da conspiração de que “não haviam computadores capazes de levar uma nave a Lua naquela época“, já que o computador da Apollo tinha alguns kbytes de memória, muda para “eles tinham computadores capazes de controlar sistemas robóticos que instalaram uma estação retransmissora em solo lunar“!

Mesmo assim ainda temos argumentos e refutações a serem apresentados. Não se pode, além de fraudar uma emissão de radio, fraudar ou modificar a velocidade da luz. Se algo está na Lua, então temos um tempo de espera nas comunicações de quase 3 segundos. Assim, se os astronautas estavam na Terra, e suas vozes e comunicação durante toda a missão era enviada ao transmissor na Lua, e depois reenviado a Terra, o “lag” seria o dobro do esperado (ir e voltar até a Lua). Embora se possa “fingir” estar mais distante do que se está “atrasando” intencionalmente uma resposta, não é possível “fingir” que se está mais perto, enviando a resposta com um tempo de espera “menor“. Assim, se os astronautas estavam na Terra, e apenas eram repetidos pelos sofisticados equipamentos na Lua, isso seria percebido imediatamente.

Além disso porque não levar pessoas para a Lua, se havia tecnologia para levar equipamentos até lá? O que impediria que o mesmo equipamento que levou as estações de rádio e TV levassem também pessoas? O medo que alguém morresse? Esse é um argumento engraçado, por vir em geral de gente que alega que “os USA não tem respeito algum pela vida humana”. E por se aplicar a um país que não se preocupava em perder milhares de soldados em guerras como a do Vietnã. Não faz muito sentido como “argumento”, não?

Curiosity em Marte

Mas se o problema da teoria de conspiração da Lua tem esse aspecto da questão humana, dos seres humanos em solo lunar, a missão do Curiosity não tem! Ela é simplesmente uma missão de colocar “algo” em Marte, que transmita sinais para a Terra.

Isso simplesmente não pode ser fraudado de nenhuma maneira conhecida, mesmo hoje em dia, mesmo com toda tecnologia que temos! Se algo parece vir de Marte, então está sendo transmitido de Marte.

Quando os novos conspiracionistas voltam seu foco para a missão Marte da NASA, e escrevem coisas como “ah, mas que fotos chinfrins, de baixa resolução, de novo essa mentira, me engana que eu gosto“, estão apenas tentando repetir a ilusão sobre a ida a Lua. Mas não percebem que não há dúvida possível quanto ao Curiosity, simplesmente porque a alegação extraordinária, pousamos um artefato humano em Marte, tem evidências extraordinárias que até ele poderia compreender, se tivesse interesse real na verdade: a triangulação de rádio não deixa dúvida sobre o local de onde vem as transmissões do Curiosity.

Um efeito colateral (ou nem tanto) benéfico de explicar essas questões aos que duvidam, é que esse primeiro passo, compreender que foram enganados pelos conspiracionistas pelo menos na questão de “provar” que algo foi colocado na Lua e em Marte, pode levar a dúvida, ao questionamento sobre outros pontos igualmente enganosos: se estavam errados em algo tão claro, talvez estejam também nos outros pontos mais obscuros.

E embora alguns dos que “descrêem” em conquistas científicas sejam levados a isso devido a ideologia, posicionamento pessoal contra americanos, e aspectos da psicologia humana, e não vão mudar de posição por algo tão sem importância quanto evidências sólidas e argumentos reais, alguns apenas não tiveram informação suficiente, e foram enganados pela “psedo-ciência” apresentada pelos conspiracionistas. Tomar contato com informação real, e evidências confiáveis, pode ajudá-los a entender e escapar da cegueira dessas conspirações. Especialmente, se são do tipo que se pode chegar sozinho (ou com uma pequena ajuda), a partir da informação básica, como jogos de cabra-cega.

Para finalizar, a imagem de nosso jeep/laboratório/robô que se encontra em Marte no momento. Eu digo “nosso“, porque considero uma conquista, um trabalho, um “milagre“, da espécie humana, da qual, nesses momentos, tenho orgulho de pertencer.

PS: Um experimento extra, que pode ajudar a demonstrar a eficiência da triangulação. Imagine que deseja saber exatamente onde está o satélite de sua TV por assinatura (ou que um amigo seu “duvide” que existam satélites que enviam os sinais para sua TV do espaço sideral.:-).

Uma forma interessante de resolver isso é pedir a um amigo em outra cidade (quanto mais longe da sua, melhor) que meça o angulo da antena de TV por satélite (precisa ser a mesma que a sua) e mande para você por email. E você deve medir o angulo de sua antena também.

Com estes dois valores, mais a distância entre sua cidade e a de seu amigo, pode facilmente “triangular” seu satélite, e verificar exatamente a que altura e em que posição ele está. Se a distância entre sua casa e a de seu amigo for precisa, a órbita do satélite será também precisa. Mas mesmo que use uma estimativa, a distância entre as duas cidades, poderá ter uma boa idéia de onde se encontra seu satélite de TV por assinatura.

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