Extinções, inteligência e outros assuntos

  • Somos mesmo uma espécie “inteligente”? (dado que estamos “destruindo o planeta” e a “natureza”)
  • Uma nova extinção acabara com a Terra? (do tipo global, em massa)
  • Somos nós os causadores dessa “6ª extinção”? (antropos)
  • E se nos tornarmos como Vênus? (efeito estufa)

 

Muitas perguntas, assuntos complexos, e muita desinformação e alarmismo, os males do Brasil são (alguém reconhece a inspiração da frase?).

Ou do mundo na verdade. Cada uma dessas questões poderia resultar em livros, confer~encias, debates, pois são complexas e não tem solução simples ou respostas fáceis. Mas sempre se pode tentar dar uma ideia, apresentar uma visão das coisas, que estimule a continuar o debate e a procura por mais e melhores respostas.

Comecemos então pela primeira questão, somos mesmo uma espécie “inteligente”?

Sim, somos, a mais inteligente já surgida neste planeta. Isso certamente não significa a mais inteligente possível, e nem que atingimos o ápice dessa capacidade, apenas que, neste momento, somos a mais inteligente e sim, somos inteligente, muito. Continuar lendo

Fantasmas, premonições, signos, energia positiva e negativa, etc. Bullshit!

misticismosAgora que tenho sua atenção, gostaria de dizer que embora considere realmente que essas afirmações, esses “fenômenos”, são realmente “bullshit” (excelente expressão inglesa para bobagens diversas), essa não é a melhor, ou mais útil, resposta para a questão. Nem a mais racional ou equilibrada.

Um excelente programa, dos mágicos e céticos Peen&Teller, tem esse nome, mas mesmo eles vão além de simplesmente declarar que algo é bobagem, eles dão o próximo passo, explicam porque consideram dessa forma:  https://en.wikipedia.org/wiki/Penn_%26_Teller:_Bullshit!

 Ao responder com um “bullshit“, as reações do debatedor podem ser várias, mas dificilmente “ah, sim, claro, compreendo, tudo bem, vamos deixar de lado essas bobagens e pronto, passamos a pensar racionalmente!“. Mais provavelmente as respostas serão, “seu idiota de mente fechada” ou “e como explica isso, hein, hein, hein“, e um total fechamento a qualquer possibilidade de explicação, uma reação emotiva, que, mesmo em pessoas bastante céticas, costuma inviabilizar qualquer debate minimamente racional.

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Democracia

democraciaO que mostra que uma democracia é forte, estável, plena, não são as eleições. Nem a capacidade de eleger os melhores disponíveis em cada sociedade para cada cargo. Nem mesmo a lisura da votação. Todas essas coisas são importantes, mas acessórias. O que define uma democracia plena, sólida, é o dia seguinte.

A afirmação acima é apenas minha opinião, mas vou tentar defende-la com argumentos que acho que justificam essa afirmação.

Escrevo este texto no dia seguinte de uma eleição para presidente, senador, deputado federal e estadual. Muitos, eu inclusive, estamos desapontados, triste, espantados (bem, nem tão espantado assim no meu caso) e até deprimidos, com alguns dos resultados dessa eleição.

Pessoas daninhas, candidatos corruptos, candidatos que pregaram o ódio em toda campanha, candidatos homofóbicos, candidatos sem nada a oferecer a sociedade, e que, pelo contrário, vão tirar o máximo desta, sem dar nada em troca, foram eleitos, alguns com votação massiva, outros na “esteira” de um grande captador de votos sem nenhuma relevância. Ao mesmo tempo boas pessoas, bons candidatos, ficaram de fora, não conseguiram se eleger ou reeleger, e perdemos muito com isso.

Mas longe de ser um defeito da democracia, de uma democracia sólida e plena, esta é sua principal virtude, a capacidade de absorver  e gerenciar, equilibrar, forças que existem em toda sociedade, para o bem e para o mal, sem se desestruturar no dia seguinte a uma eleição. Continuar lendo

Onde estão os porcos com asas afinal?


Este artigo foi inspirado pelo recorrente desafio em relação a evolução que se costuma encontrar em debates sobre a mesma: mas então me mostre um exemplo de evolução real! Ou em outras palavras, onde está o porco com asas (com variações como macaco-com-asas ou cobras-com-pernas).

Isso demonstra, como muitos outros “desafios” um desconhecimento profundo do que é (e o que não é) a evolução, e o conjunto de fatos, dados, evidências, estudos e conhecimentos, que explicam como a evolução ocorrer e ocorreu, a Teoria da Evolução.

No texto “Apenas uma Teoria” eu tentei explicar como o termo teoria é usado em ciência. E no texto “Se a evolução é real, por que nenhum chimpanzé evoluiu até serem como nós?“, outro desafio muito comum, tentei explicar outro aspecto da evolução, ser contingente (sem objetivo, propósito ou direção).

Para este novo desafio vou tentar mostrar o erro em entender a evolução como um “salto“, como se um animal sem asas de repente nascesse com elas.

 Micro versus Macro evolução

Nada na evolução indica que algo assim ocorreu ou possa ocorrer. Essa imagem, do salto entre uma espécie e outra simplesmente não faz parte da teoria da evolução, mas é muito utilizada como “falácia de espantalho” por criacionistas, e mesmo por quem mesmo não sendo criacionista, não se sente confortável com a ideia de evolução de um ancestral em comum. Continuar lendo

Mas o Curiosity está mesmo em Marte?

Com o pouso bem sucedido (e emocionante, pelo menos para mim) do jeep/laboratório/robô Curiosity em Marte começam a surgir as teorias de conspiração de sempre. Pessoas sem nenhum conhecimento sobre ciência, sobre física, etc, tentando usar o “bom senso” humano, às vezes com uma forte predisposição contra ações de americanos, e às vezes com um legítimo, porém equivocado ceticismo em relação a alegações extraordinárias, que criam “argumentos” e levantam uma série objeções ao acontecimento.

Há muitas formas de abordar essas teorias de conspiração, desde a mais concreta, apontando evidências específicas para cada elemento ou objeção, até a psicológica, tentando entender a natureza da mente humana e suas dificuldades com conceitos complexos ou eventos fora da escala (como as distâncias envolvidas nas viagens inter-planetárias.

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Relato anedótico versus relato estatístico

Relato-AnedóticoUm dos aspectos mais difíceis de ser compreendido pelo homem comum quanto ao rigor exigido pelo método científico e pela ciência para validar um conhecimento, fenômeno ou alegação, é a questão do relato anedótico, pessoal, a experiência pessoal como elemento de convicção e conclusão.

Quando textos são apresentados na Internet para explicar porque a ciência não reconhece uma pseudociência, uma alegação extraordinária ou um tratamento alternativo, dezenas de comentários contrariados são enviados. Uma grande maioria usa casos pessoais como “prova” de que o texto está enganado, que “aquilo” funciona sim, que tem certeza disto, que o autor está “comprado pelas indústrias de medicamentos”, etc.

“Relato anedótico é um relato, evento ou alegação única, singular, pessoal”

Variações são apresentadas, como “é uma questão de livre escolha”, ou – um exemplo tirado da homeopatia – “funcionou até para meu cachorro, como pode não ser real?” Continuar lendo

A Girafa, o nervo laríngeo e o design pouco inteligente

girafa31Inspirado pelo excelente post do amigo Adelino Santi Júnior,O Luxo da Incompetência, pensei em escrever um artigo que apresentasse um “defeito de projeto” do criador, o meu preferido: o nervo laríngeo, que controla nossa laringe e conseqüentemente a fala.

Evidentemente que não penso que seja mesmo um “erro de projeto”, já que não há um projeto envolvido. Mas, se consideramos o argumento criacionista, que afirma “ver” deus e seu trabalho na perfeição dos “projetos” naturais, temos de manter a coerência e também “ver” o erro quando o projeto falha ou é mau executado.

Vamos então ao nervo laríngeo recorrente. Ele é um nervo craniano que parte diretamente do cérebro e não da medula, como é mais comum. É uma ramificação do nervo “vago”. O nervo vago tem este nome porque ele “vagueia” pelo corpo e é utilizado em diversas funções. Continuar lendo