Nossa sociedade relaciona artificialmente nudez a sexo. E daí?

Guerreiros Wodaabe, África.

Essa afirmação tem surgido com força nos últimos eventos polêmicos envolvendo arte, coisas que se discute ser arte, exposições e mostras mais audaciosas etc. Mas também já faz um tempo que aparece nas discussões sobre propaganda, marketing, abuso, feminismo, e sexualidade.
O problema é que a resposta, o questionamento a partir dessa afirmação deveria ser: e daí?

Há realmente algum problema em nossa sociedade relacionar, “artificialmente”, nudez a sexo? Para começar, existe uma forma “correta” ou “natural” de relacionar qualquer coisa a sexo?
Podemos começar analisando outras sociedades e culturas que não a nossa “malvada, decadente e degenerada” sociedade ocidental (obrigado Stalin e Hitler pela definição). Essa análise, se feita com honestidade intelectual, sem emoções e sem o viés de confirmação natural a todo ser humano (ou seja, usando a ciência e seus métodos) nos leva a concluir que TODAS as sociedades e culturas humanas, a partir do momento em que se tornam humanas (e, portanto, criam uma cultura), relacionam “artificialmente” uma diversidade de coisas, situações, elementos etc, ao sexo.
Nenhuma, mesmo as mais antigas, mesmo as mais “puras”, como tribos indígenas afastadas, ou sociedades não ocidentais, não criaram fetiches, brincadeiras, elementos sexuais diversos, e os relacionaram ao desejo e ao sexo. Todos, sem exceção, criaram tabus, definiram elementos de atração, definiram partes do corpo, como atraentes (ou não), criaram comportamentos de sedução, etc.

Ou seja, nenhuma cultura humana faz sexo apenas por seu propósito reprodutivo, nenhuma deixou de criar elementos de sedução e atração. Nenhuma.
Parte do problema é que nossa cultura, em especial a parte mais liberal dela, passou a confundir as coisas, a tolerância com a diversidade, algo importante, correto e “bom”, com a crítica extrema e intolerante com a “nossa” cultura, comportamento e tradições. Um tipo de reação ao tempo em que o oposto era o padrão, nossa cultura é “melhor”, sempre, e os outros “bárbaros”.
O resultado é que embora “nossa” cultura pareça ser a única interessada em aumentar a tolerância, diminuir a discriminação (as lutas contra o racismo, o apartheid, contra a inferiorização da mulher, a retomada dos direitos de minorias etc, só aconteceu no ocidente “malvado”, e nenhuma das culturas não ocidentais, especialmente sob a influência do Islã ou de conservadorismo de tradições ancestrais, fez qualquer coisa a favor desses movimentos), nosso lado “liberal” presume que somos “maus” e os outros “bons”. Assim, um comportamento completamente cruel, como enterrar vivos bebês gêmeos, é protegido pelo relativismo cultural pelo mesmo indivíduo pronto a atacar o mínimo escorregão de “nossa cultura chauvinista”.

Não há nada de intrinsecamente errado com a nudez humana. Diferentes culturas criaram diferentes tabus de vestimenta, para diferentes partes do corpo, mas nenhuma delas é “natural”. E também não há nada de “errado” nisso, é parte do desenvolvimento de culturas. O erro está em usar tabus para causar dano. E nem precisa ser tabu sexual, pode ser, por exemplo, um tabu que leve a matar gêmeos ao nascer. Ou bebês cujos dentes de cima nasçam antes dos de baixo. Ou enviar velhos para morrer sozinhos na neve. Etc.

Sim, temos atração por mulheres bonitas com pouca ou nenhuma roupa. E por homens bonitos com pouca ou nenhuma roupa. Sim, para quem sente desejo por homens, em nossa sociedade, pouca roupa causa atração, desejo. E TUDO bem, é NATURAL sentir desejo. Thor (ou Marlon Brando para os mais antigos) não perde a camisa toda hora porque é descuidado, há um bom motivo para isso.

Thor, em um claro abuso e objetificação

Não que não exista abuso, e, principalmente em passado recente, objetificação feminina. Não apenas feminina, mas principalmente. Mas embora ativistas extremos tendam a recusar ou aceitar, houve mudanças, boas e significativas, nessa situação, uma mulher hoje tem mais espaço, direitos, e é mais capaz de decidir o que quer fazer que em qualquer outra época de nosso passado, recente ou remoto. E deve decidir o que quiser, inclusive quanto de roupa coloca ou não coloca.

Sem aceitar isso, fica difícil avançar mais (o que é necessário), pois parece que estaremos sempre lutando batalhas já vencidas.

Em NOSSA sociedade, um homem nu, ou mulher nua, remeterá ao sexo e ao desejo. Pode ser que com o tempo, e mudanças na visão da sociedade, isso mude, mas neste momento, é assim. Em uma tribo da amazônia, estar nu não tem nada de sexual, mas outras coisas, que em geral desconhecemos, terão. É possível que um homem branco inclusive atraia desejo por fazer coisas que não sabe que são elementos de atração, em uma cultura diferente, sem perceber. Grandes confusões já surgiram por desconhecimento de costumes culturais.

A ideia de que índios são seres “puros e ingênuos”, que provavelmente só fazem sexo para reprodução, e nem pensam muito nisso, nem sentem desejo “como nós”, enfim, crianças grandes, é tão sem sentido quanto a visão de que crianças, pequenas, também não tem sexualidade ou interesse. Diferente da dos adultos, certamente, mas brincar de médico não é usar um estotoscópio e colocar bandaid no braço do amiguinho/amiguinha. Sim, é desconfortável para adultos pensar nisso, como é desconfortável para adultos pensar que seus pais fazem sexo, mas eles fazem, e crianças se envolvem com outras crianças em jogos de descobrimento corporal.

Se conseguirmos aceitar que as relações “artificiais” em relação ao sexo, ou mais propriamente, culturais/sociais, feitas por índios amazônicos, ou inuits do ártico (oferecer a esposa para você passar a noite por exemplo), ou de qualquer outra cultura ou sociedade, são válidas, aceitáveis, deveríamos poder aceitar as nossas, todas as que não causem dano, não violem direitos (oferecer a esposa parece violar os direitos dela, eu acho, mas tendemos a colocar isso no “direito a cultura e tradições” de outros povos), nem sejam legalmente proibidas.

Assim, lutar para desvincular nudez de sexo não é uma luta razoável. Crescemos querendo ver o sexo oposto nu, isso nos excita (e não há NADA de errado em se excitar, ou ter elementos culturais que provoquem isso, entre adultos, e com consentimento mútuo). E, penso eu, nem no uso que se faz para ganhar atenção. Por isso a mocinha/heroína da novela, filmes, video-games, é bonita, linda, com corpo desejável, dentro do padrão que esta sociedade escolheu ou desenvolveu como sendo assim. E ambos usam pouca roupa as vezes, ou roupas bonitas/sexuais, chamativas etc. E o mocinho/herói idem. E o vilão, nem sempre.

Por isso marcas de carro colocam moças bonitas em seus stands, esperando que atraiam o olhar das pessoas, e por conseqüência para seus carros. E por isso uma moça, adulta, bonita, livre, como a Verão, da propaganda de cerveja, ou Gisele Bündchen, ou Angelina Jolie, trabalham usando essa beleza em seu proveito, ganhando muito bem para isso e sendo respeitadas no que fazem. Ou quase.

Se eventualmente conseguirmos mudar a visão que nossa sociedade tem da nudez, e a desvincularmos do sexo, isso apenas vai criar um novo elemento, uma nova relação, e esta será usada para atrair, e eventualmente para vender algo. É ingenuidade pensar que apenas deixaríamos de ligar qualquer coisa “artificialmente” a sexo, como os índios (não) fazem.
Nesse novo formato, as pessoas que não tivessem ou conseguissem adquirir esses novos elementos, também se sentiriam frustradas? Se sim, o que fazer?

Este é o ponto, me parece, que se apoia nas boas intenções de quem luta contra essa “relação artificial” de nudez e sexo/desejo (sexo/desejo, porque despertar desejo NÃO significa dar permissão para sexo, ou que se vai tentar fazer sexo). E as meninas normais, mulheres normais, que não nasceram ou puderam ser como Verão ou Gisele ou Angelina? E os meninos magros, nerds, tímidos, não atléticos, baixos que não puderam ser como o Brad Pitt, não tem o corpo de David de Michelangelo, nem a personalidade do George Cloney (adivinhem de onde tirei os atributos de meu exemplo?).

E a visão irreal da beleza em nossa sociedade, não causa dano a pessoas fragilizadas, com baixa auto-estima? Não devemos nos preocupar, e fazer algo a respeito?

Sim, devemos. Mas que tipo de preocupação e o que fazer a respeito é que precisa ser discutido e definido, e que tem causado boa parte dos problemas e polêmicas.

A idealização do feminino e do masculino NÃO é invenção nossa, da “malvada, decrépita e degenerada” (obrigado Stalin e Hitler) sociedade ocidental. Ela também é um fenômeno cultural basicamente universal. Culturas diversas criaram os seus ideais, mas, de novo, tendemos a ver esses ideais como “bons, puros e válidos”, enquanto os nossos são “malvados, injustos e artificiais”.
Todas as representações gráficas e pictográficas de culturas em todos os tempos apresentam algum tipo de idealização feminina e masculina. Toda mulher queria ser como a Vênus de Milo, e todo homem desejaria ter o corpo do David de Michelangelo (o corpo, mas uma parte significativa desse corpo em um tamanho um pouco mais realista, se é que me entende). Não temos como saber, mas muito provavelmente entre as pinturas em cavernas ancestrais, algumas representações sejam, digamos, excitantes para os habitantes da época.

Mulher-girafa, Myamar

Egito antigo, Grécia clássica, Assíria e Babilônia, Índia, aborígenes australianos, elementos “artificiais” de desejo e atração foram criados pela tradição e por nossa natureza. Templos inteiramente decorados com posições sexuais louvavam e agradeciam deuses da fertilidade e do sexo. Padrões de beleza, pés minúsculos, pescoços de girafa, crânios alongados desde bebê, uma enorme diversidade de atributos e elementos de atração.

Em diferentes épocas e diferentes culturas esse ideal de beleza foi em alguns aspectos único. Isso porque embora basicamente toda espécie animal tenha elementos de atração sexual e desejo, alguns com essa função exclusiva, como o rabo do pavão, a nossa espécie, também animal, desenvolveu uma casca de cultura, também afetada pela busca do parceiro e pelo drive sexual.

Homens da tribo africana Wodaabe se pintam de forma escandalosa, maquiados, com penas e cores berrantes, e pulam e gritam e fazem caretas em exibições chamativas para que mulheres disponíveis os escolham como par. Ninguém, no ocidente liberal, diria que é um abuso, uma exploração, um aspecto “errado”dessa cultura, que inferioriza ou discrimina os homens, ou que causa trauma aos homens que não tem ou não conseguem superar seus pares na exibição de dotes e cores.

E nem eu claro.

Evidentemente que em muitas culturas, através do tempo, alguns aspectos realmente se tornaram daninhos. Não importa se eram tradições culturais importantes, deviam ser analisados pelo dano que causam, e combatidos e eliminados, e foram.

As mulheres-girafa da Tailandia, as meninas com os pés quebrados e enfaixados para se tornarem mulheres com pés pequenos e quase incapazes de andar sem dor, entre outros costumes, mereceram ser eliminados. Hoje não se enfaixa pés de meninas, e mulheres girafas podem escolher não usar os colares alargadores.
Eram elementos de atração, especialmente os pés pequenos, que causavam dano profundo e dor escruciante.

Chinesa com pés atrofiados pelo uso de faixas de restrição.

Mas a maior parte dos elementos de atração/desejo são basicamente inofensivas, em sua diversidade. Cada cultura com seu conjunto de elementos de atração próprios. Artificiais, mas e daí?

Há duas formas de lidar com a parte do dano psicológico que eventualmente a existência de elementos de atração padrão em uma sociedade possam causar em algumas pessoas fora desse padrão. Algumas, porque a maioria parece lidar bem com isso, e não se incomodar muito de não ser idêntica a Gisele ou ao Brad.

A primeira, que parece mais simples e evidente, e que é adotada pelo ativismo mais extremo, é eliminar da sociedade os sinais desses padrões de beleza ou atração. Uma forma seria desvincular nudez de sexo. Todas as pessoas passariam a olhar uma pessoa nua sem desejo, sem avaliar a beleza de formas, o equilíbrio, a simetria e tudo aquilo que, por milhões de anos, a evolução levou nosso cérebro e mente a fazer.

Outra forma dessa forma seria manter a ligação, mas excluir os sinais, os exemplos, os usos desses padrões. Pessoas bonitas, por exemplo, não devem mais trabalhar divulgando qualquer coisa. Nem sendo protagonistas, para não causar dano. Corpos esculturais, dentro do padrão atual, proibidos. Toda representação cultural deverá, necessariamente, ter um representante de cada forma, formato, cor, tamanho, origem, cultura, credo, cabelo etc, disponível na variedade humana, sem que nenhum deles se destaque ou seja principal.

Qual a chance de qualquer dessas opções ser minimamente viável, ou factível, e mesmo que fosse, qual o efeito real disso?

No primeiro caso, desvincular corpo e nudez de sexo, apenas levaria a criamos outro padrão, outros elementos de atração/desejo, e um novo grupo de excluidos. Por exemplo, é uma afirmação recorrente que “inteligência é sexy”. Sim, é, em alguma media.

Mas inteligência leva mais tempo para ser percebida, e até que atraia a atenção, a nudez ou a boa forma e um rosto bonito terão prioridade. Se a inteligência entretanto se tornar o “novo bonito”, o que acontecerá?

Acontece que inteligência é também variável entre seres humanos, e talvez mais até que beleza, é rara. Pessoas não muito espertas terão dificuldade em atrair parceiros, se frustarão, não se verão representadas em novelas e filmes, onde o herói e a mocinha são os mais inteligentes, e os vilões sempre burros e meio tapados.
Como vamos lidar com isso? Impedir que pessoas inteligentes sejam valorizadas como parceiros, desvincular o vínculo “artificial” entre sexo/desejo e inteligência? E se sim, o que faremos com o novo padrão de elementos de atração que surgirá, certamente surgirá?

A segunda forma é até pior, eliminar todo sinal visível de elementos de desejo, esconder os corpos, impedir o uso de beleza para propaganda e marketing, ignorar os milhões de anos de evolução que fazem nosso cérebro inconscientemente avaliar a simetria de um corpo ou rosto, e mudar toda a sociedade de forma indiscriminada, para impedir que algumas pessoas com problemas psicológicos ou de auto-estima se sintam mal.

No fundo, ativistas extremos, e conservadores extremos, como o Islã, parecem desejar a mesma coisa, acabar com o desejo escondendo a mulher, seu corpo e rosto, em um saco. O que não entendem é que isso apenas muda o padrão de desejo/atração, e mulheres dentro de saco ainda despertam desejo e ainda são estupradas em países islâmicos. Apenas não podem ir a delegacia dar parte, pois correm o risco de serem processadas por sexo “fora do casamento” e mortas “pela honra de suas famílias”.

Há, entretanto, uma outra solução. Uma que não envolve desvincular nudez de sexo, nem apagar os elementos de atração/desejo de uma sociedade. E que ainda assim pode proteger a mente de pessoas que não se enquadram no padrão.

É mais difícil, dá mais trabalho, leva mais tempo, e exige muito das pessoas e da sociedade, aliás como toda solução real, mas complexa, para problemas reais e complexos. Fortalecer as pessoas com problemas de auto-estima, dar a elas ferramentas para se tornarem mais fortes, mais capazes de lidar com frustração e com a vida, enfrentar desafios, inclusive os psicológicos, compreender a diversidade da vida e das pessoas, e que a falta de algo não os torna necessariamente menos capazes ou com menos direitos.

Envolve educação e informação, de modo que as pessoas, a maioria, seja capaz de entender e diferenciar ficção de realidade, corpos com photoshop de corpos reais, e músculos de heróis de filmes e de HQ de corpos reais.

O rapaz que usei como exemplo acima, nerd, magro, tímido, pouco atlético, e que gostaria de ter a personalidade do George Cloney e o corpo do Brad Pitt em algum momento entendeu isso e lidou bem com a adolescência e as dores do crescimento. Não foi fácil, nunca é, nem para o Cloney e o Pitt. Mas compreender a realidade torna tudo mais suportável.

Meninas com anorexia, com problemas de auto-estima, meninos com anorexia ou vigorexia, com hormonios de mais ou de menos, todas as crianças e adolescentes com problemas, precisam de ajuda, para fortalecer sua personalidade e sua mente. O que não precisam é que se escondam todos os sinais de problemas a sua volta, e o coloquem em uma redoma de proteção e infantilização.
Se minha filha tivesse um problema de anorexia, seria totalmente sem sentido culpar a Gisele Bundchem por ser magra e trabalhar como modelo. Idem se ela tivesse problemas de obesidade. Mesmo que a Gisele não existisse, que nenhuma modelo magra existisse, o problema de minha filha não desapareceria. Procurar um inimigo “externo” não ajudaria minha filha. Tratar do problema dela (psicológico, mas se necessário também corporal, como anorexia ou obesidade mórbida), com atenção e disciplina, participando e dando apoio, isso ajudaria.

Nada disso dito acima implica em que não existam excessos, ou que não se deve combate-los. As propagandas de cigarros, por exemplo, a ação dessas a empresas fraudando estudos etc, são daninhas para além do efeito na mente das pessoas, é algo criminoso. Muito do que se afirma em propagandas é mentira, e deve ser combatido. Mas Verão em propaganda de cerveja, não é um dos problemas sérios dessa situação toda.

Mulheres, e homens, lindos e lindas, sem camisa, como o Thor na maior parte dos filmes, é um elemento de atração/desejo. Sim, é possível que a exploração das mulheres, por décadas, ainda esteja causando problemas, e muitas propagandas refletem esse abuso. Mas nem toda mulher bonita em um filme ou propaganda, mesmo que tenha um corpo, rosto ou comportamento que desperte desejo, é um abuso, está sendo abusada ou representa o machismo de nossa sociedade (que, sim, existe, e precisa/merece ser combatido, o real, de verdade, não simulacros).

Serão cada vez menos, porque a visão da sociedade muda sempre. Impedir qualquer corpo nu de ser exibido ou relacionado com desejo, ou tentar desligar o mesmo da ideia de sexo, atração/desejo, não é razoável, não é viável, nem minimamente eficaz para o que se pretende, dar espaço e autonomia as mulheres, pessoas, e segurança para o conjunto da sociedade.

Mais uma vez, é necessário, já que este não é uma explanação sobre ciência pura, explicar que é apenas minha opinião, que tento defender com argumentos, alguns exemplos e evidências, que me parecem pertinentes e legítimos, e que não representa a “verdade verdadeira e incontestável”. Dessa forma críticas e respostas discordantes são bem-vidas, desde que não se usem ad hominens ou falácias diversas. Posso perfeitamente estar errado em parte ou no todo, e gostaria realmente de saber se for o caso.

Homero

Links

Wodaabe, os guerreiros maquiados

http://www.dailymail.co.uk/news/article-3149684/The-Wodaabe-wife-stealing-festival-Stunning-images-world-s-vainest-tribe-men-dress-s-women-women-husbands-please.html

Mulheres-girafa de Myamar

https://en.wikipedia.org/wiki/Kayan_people_(Myanmar)

E-Farsas e os crânios alongados

http://www.e-farsas.com/dna-de-cranios-alongados-de-paracas-e-de-origem-alienigena.html

 

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Extinções, inteligência e outros assuntos

  • Somos mesmo uma espécie “inteligente”? (dado que estamos “destruindo o planeta” e a “natureza”)
  • Uma nova extinção acabara com a Terra? (do tipo global, em massa)
  • Somos nós os causadores dessa “6ª extinção”? (antropos)
  • E se nos tornarmos como Vênus? (efeito estufa)

 

Muitas perguntas, assuntos complexos, e muita desinformação e alarmismo, os males do Brasil são (alguém reconhece a inspiração da frase?).

Ou do mundo na verdade. Cada uma dessas questões poderia resultar em livros, confer~encias, debates, pois são complexas e não tem solução simples ou respostas fáceis. Mas sempre se pode tentar dar uma ideia, apresentar uma visão das coisas, que estimule a continuar o debate e a procura por mais e melhores respostas.

Comecemos então pela primeira questão, somos mesmo uma espécie “inteligente”?

Sim, somos, a mais inteligente já surgida neste planeta. Isso certamente não significa a mais inteligente possível, e nem que atingimos o ápice dessa capacidade, apenas que, neste momento, somos a mais inteligente e sim, somos inteligente, muito. Continuar lendo

Fantasmas, premonições, signos, energia positiva e negativa, etc. Bullshit!

misticismosAgora que tenho sua atenção, gostaria de dizer que embora considere realmente que essas afirmações, esses “fenômenos”, são realmente “bullshit” (excelente expressão inglesa para bobagens diversas), essa não é a melhor, ou mais útil, resposta para a questão. Nem a mais racional ou equilibrada.

Um excelente programa, dos mágicos e céticos Peen&Teller, tem esse nome, mas mesmo eles vão além de simplesmente declarar que algo é bobagem, eles dão o próximo passo, explicam porque consideram dessa forma:  https://en.wikipedia.org/wiki/Penn_%26_Teller:_Bullshit!

 Ao responder com um “bullshit“, as reações do debatedor podem ser várias, mas dificilmente “ah, sim, claro, compreendo, tudo bem, vamos deixar de lado essas bobagens e pronto, passamos a pensar racionalmente!“. Mais provavelmente as respostas serão, “seu idiota de mente fechada” ou “e como explica isso, hein, hein, hein“, e um total fechamento a qualquer possibilidade de explicação, uma reação emotiva, que, mesmo em pessoas bastante céticas, costuma inviabilizar qualquer debate minimamente racional.

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Democracia

democraciaO que mostra que uma democracia é forte, estável, plena, não são as eleições. Nem a capacidade de eleger os melhores disponíveis em cada sociedade para cada cargo. Nem mesmo a lisura da votação. Todas essas coisas são importantes, mas acessórias. O que define uma democracia plena, sólida, é o dia seguinte.

A afirmação acima é apenas minha opinião, mas vou tentar defende-la com argumentos que acho que justificam essa afirmação.

Escrevo este texto no dia seguinte de uma eleição para presidente, senador, deputado federal e estadual. Muitos, eu inclusive, estamos desapontados, triste, espantados (bem, nem tão espantado assim no meu caso) e até deprimidos, com alguns dos resultados dessa eleição.

Pessoas daninhas, candidatos corruptos, candidatos que pregaram o ódio em toda campanha, candidatos homofóbicos, candidatos sem nada a oferecer a sociedade, e que, pelo contrário, vão tirar o máximo desta, sem dar nada em troca, foram eleitos, alguns com votação massiva, outros na “esteira” de um grande captador de votos sem nenhuma relevância. Ao mesmo tempo boas pessoas, bons candidatos, ficaram de fora, não conseguiram se eleger ou reeleger, e perdemos muito com isso.

Mas longe de ser um defeito da democracia, de uma democracia sólida e plena, esta é sua principal virtude, a capacidade de absorver  e gerenciar, equilibrar, forças que existem em toda sociedade, para o bem e para o mal, sem se desestruturar no dia seguinte a uma eleição. Continuar lendo

Onde estão os porcos com asas afinal?


Este artigo foi inspirado pelo recorrente desafio em relação a evolução que se costuma encontrar em debates sobre a mesma: mas então me mostre um exemplo de evolução real! Ou em outras palavras, onde está o porco com asas (com variações como macaco-com-asas ou cobras-com-pernas).

Isso demonstra, como muitos outros “desafios” um desconhecimento profundo do que é (e o que não é) a evolução, e o conjunto de fatos, dados, evidências, estudos e conhecimentos, que explicam como a evolução ocorrer e ocorreu, a Teoria da Evolução.

No texto “Apenas uma Teoria” eu tentei explicar como o termo teoria é usado em ciência. E no texto “Se a evolução é real, por que nenhum chimpanzé evoluiu até serem como nós?“, outro desafio muito comum, tentei explicar outro aspecto da evolução, ser contingente (sem objetivo, propósito ou direção).

Para este novo desafio vou tentar mostrar o erro em entender a evolução como um “salto“, como se um animal sem asas de repente nascesse com elas.

 Micro versus Macro evolução

Nada na evolução indica que algo assim ocorreu ou possa ocorrer. Essa imagem, do salto entre uma espécie e outra simplesmente não faz parte da teoria da evolução, mas é muito utilizada como “falácia de espantalho” por criacionistas, e mesmo por quem mesmo não sendo criacionista, não se sente confortável com a ideia de evolução de um ancestral em comum. Continuar lendo

Mas o Curiosity está mesmo em Marte?

Com o pouso bem sucedido (e emocionante, pelo menos para mim) do jeep/laboratório/robô Curiosity em Marte começam a surgir as teorias de conspiração de sempre. Pessoas sem nenhum conhecimento sobre ciência, sobre física, etc, tentando usar o “bom senso” humano, às vezes com uma forte predisposição contra ações de americanos, e às vezes com um legítimo, porém equivocado ceticismo em relação a alegações extraordinárias, que criam “argumentos” e levantam uma série objeções ao acontecimento.

Há muitas formas de abordar essas teorias de conspiração, desde a mais concreta, apontando evidências específicas para cada elemento ou objeção, até a psicológica, tentando entender a natureza da mente humana e suas dificuldades com conceitos complexos ou eventos fora da escala (como as distâncias envolvidas nas viagens inter-planetárias.

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Religiões são intrinsecamente más?

“O Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) decidiu na quinta-feira (18/11) que um médico e os pais de uma menina de 13 anos, que morreu por não ter sido submetida a transfusão sanguínea em razão de questões religiosas, devem ser submetidos a júri popular. A morte da garota ocorreu em 22 de julho de 1993, no Hospital São José, em São Vicente.” (Ateus.net)
maos-atadas1-300x300Há algo de intrinsecamente errado com as religiões? É possível que em seu núcleo, em sua base, exista um defeito, um problema, que torne todos os seus desdobramentos comprometidos ou francamente daninhos?

Toda vez que eu afirmo isso, que em meu modo de ver há um defeito básico com a fé religiosa, com as religiões organizadas, as pessoas em geral me respondem que não é bem assim, que há pontos positivos na religião, que muitas vezes elas ajudam outras pessoas, ou fazem o bem, ou se comportam de modo benéfico. Vou pegar como gancho essa notícia recente sobre a decisão do TJ-SP de enviar pais Testemunhas de Jeová a juri popular, acusados pela morte da filha por recusa de transfusão de sangue, para deixar mais claro meu ponto, e porque penso haver algo de intrinsicamente daninho, perigoso, na fé religiosa, de qualquer tipo. Continuar lendo